Assim que as portas do elevador se abriram apertei rapidamente o botão do 16° andar e só então pude ver em um canto, concentrado no celular, um cara, totalmente solitário e preso ao mundo virtual. Talvez eu não devesse, mas estou olhando para ele, sua blusa azul revelando braços tatuados, sua mão em um dos bolsos do jeans escuro apertado e rasgado nos joelhos, seus sapatos gastos e os cabelos, e que cabelos, que encostam na gola da blusa, castanhos e levemente cacheados.
O elevador para no 6° andar, onde entram mais pessoas do que deviam, ele se afasta do canto e vai para frente, provavelmente vai sair primeiro, que pena. As portas se fecham e continuamos a viagem, e eu estou agradecendo aos deuses dos elevadores por esse ter portas espelhadas e ao mesmo tempo odiando essa pessoa que esta conversando e atrapalhando a minha observação.
Volto a minha atenção a musica que toca nos meus fones e o elevador para mais um vez, olho aflita, mas ele não desceu, ufa! Estamos no 8° andar ainda. Extintivamente meu corpo se mexe a voz de Jack Bugg que soa em meus ouvidos e ao olhar para as portas encontro olhos verdes hipnotizantes e um sorriso de canto de boca assistindo a tudo aquilo, droga, fui pega. Meu rosto está pegando fogo e uma risada de vergonha me escapa, balanço a cabeça e foco no meu all star vermelho, droga outra vez, ele me olhou logo no dia em que eu estou vestindo um all star vermelho, esse jeans velho e uma regata branca no melhor estilo "não tinha outra opção", talvez ele esteja rindo do meu cabelo bagunçado.
Décimo quarto outra parada, mais pessoas saem. Assim que o elevador se movimenta me remexo, desligo a musica e vou em direção a porta, vejo no pelo canto dos olhos, pela ultima vez aquele cara que deve ter 1,80 de altura, até que uma voz rouca e baixa soa naquele espaço dizendo na maior tranquilidade
- Décimo Sétimo!
As portas se abrem no meu andar, em dois passos estou no corredor e me viro rápido o suficiente para ver um sorriso de canto.
Então eu entendo
- Ele é o cara do andar de cima que não me deixa dormir com a mudança, desgraçado!
Mas é lindo, sussurra meu inconsciente.














